Conhecer a si mesmo também é acolher as próprias contradições

Às vezes, imaginamos que conhecer a si mesmo significa chegar a uma definição clara: “eu sou assim”, “eu gosto disso”, “eu nunca faria aquilo”.
Mas a experiência humana nem sempre se apresenta dessa maneira tão organizada.
Você pode amar alguém e, em determinado momento, sentir necessidade de se afastar. Pode desejar profundamente uma oportunidade e, ao mesmo tempo, sentir receio diante dela. Pode reconhecer que determinada escolha é importante para você e ainda assim hesitar.
Essas experiências aparentemente contraditórias não precisam ser tratadas imediatamente como um problema a ser eliminado. Antes disso, pode ser valioso compreender como essa experiência se apresenta para você e que sentido ela assume em sua existência.
Ao falar sobre congruência, a ideia não é que a pessoa se torne alguém sem conflitos ou contradições. A questão está na possibilidade de entrar em contato, com maior abertura, com aquilo que está sendo vivido, inclusive quando a experiência não corresponde à imagem que construímos de nós mesmos.
Podemos olhar para a experiência antes de tentar encaixá-la em explicações prontas. Em vez de perguntar apenas “por que eu sou assim?”, podemos nos aproximar de perguntas como:
“O que estou vivendo neste momento?”
“O que essas duas vontades significam para mim?”
“O que está em jogo nessa escolha?”
Talvez conhecer-se tenha menos relação com encontrar uma definição definitiva sobre quem somos e mais com desenvolver uma relação mais atenta com aquilo que vivemos.
Porque somos atravessados por histórias, relações, desejos, possibilidades e circunstâncias. E, nesse movimento, nem sempre somos inteiramente coerentes — e talvez a existência humana nunca tenha sido feita para caber completamente em uma definição.
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